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23/05/2005 23:32
Estava pensando nas influências que tive na vida, principalmente na maneira como a adolescência contribuiu para eu ser como sou.
Os seres mais estranhos desse mundo em que vivemos são os adolescentes. Estão no meio de um caminho que os levará a deus-sabe-lá-onde, idéias confusas na cabeça e uma dose alta de hormônios invadindo o corpo e causando uma mutação que por mais que se explique nas aulas de ciências ou se leia nos livros, nunca se sabe ao certo onde é que vai dar. Dificilmente o adolescente tem consciência do que é mas quase sempre sabe que vai ser ou pelo menos que quer ser alguém com 18 ou 20 anos, bonito, popular e claro, que vai transar gostoso com as garotas mais interessantes que a sorte lhe permitir. Definição complicada mas esse é o melhor conceito que eu posso descrever de um garoto adolescente.
A pessoa que sou hoje é bem diferente do adolescente que eu fui. Também não se parece com o que eu queria ser. Não sei dizer se sou melhor mas com certeza não sou pior do que imaginava que seria. Tenho o privilégio de continuar sendo amigo de alguns dos melhores amigos dos tempos em que o sábado não era apenas um dia do final de semana mas uma chance única de fazer da vida algo que realmente valesse a pena. As vitórias superaram as derrotas e isso diminuiu a insegurança comum a essa época da vida e ajudou a me tornar um adulto que soube arriscar quando o medo sugeria que era melhor ser prudente e o prêmio da ousadia normalmente foi muito doce pra mim e quando arrisquei e perdi, perdi pouco, sem traumas. E as vitórias que me refiro não são épicas mas aquelas triviais no esporte, nas notas das provas, nos presentes de Natal, naquele sim de permissão para o final de semana na praia com os amigos, no beijo na garota peituda e até nas brigas com os meninos folgados. Quem acha que existe vitória banal certamente se esqueceu de como era delicioso ser bem sucedido em alguma coisa mesmo que fosse o consentimento para ficar até a meia-noite na festa.
Alguns medos foram superados outros talvez ainda estejam aí e o importante mesmo é o entusiasmo de aproveitar o que é bom e o desprendimento de não perder tempo lamentando o que não é . É praticamente impossível ser um adulto equilibrado com aquela euforia da adolescência mas o tesão pelo novo e o prazer pelas coisas boas que a vida nos oferece é muito importante cultivar. Lembro que em algumas tardes de verão da minha adolescência o paraíso seria estar na beira de uma piscina com uma jarra de qualquer coisa gelada e doce por perto. Tive a sorte de usufruir disso algumas vezes naqueles tempos e mesmo hoje quando tenho essa oportunidade penso em como a vida pode ter esses momentos singelos e felizes quando agradamos nossos sentidos dando o que aquele garoto que continua vivo dentro de nós quer.
enviada por Cidadão Brasileiro
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